A Turma

 

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  Porque Turma DEDO? Próximo Texto


   Naqueles idos, o alfabeto fonético naval era composto por palavras da língua Portuguesa. Não usávamos o alfabeto internacional, como hoje, ao qual fomos obrigados em função da necessidade da comunicação por fona em inglês com os americanos, durante as operações conjuntas (Springboard, Unitas, etc.). Hoje é Alfa, Bravo, Charlie, Delta, Echo etc. Naquele tempo era AFIR, BALA, CRUZ, DEDO, ELMO, FACE etc. A primeira turma que ingressou no Colégio Naval (CN) recebeu a denominação de AFIR, a segunda, BALA, a terceira CRUZ e a quarta (a nossa) DEDO. E assim por diante. Nós adotamos essa palavrinha para dar nome à turma, enquanto que outras foram batizadas com o nome de seu Guarda-Marinha número 1.
   Você já deve ter notado que o símbolo da turma é uma mão com apenas o indicador aberto (um DEDO apontando para cima) e "rodando" um caxangá. Esse era um hábito que todos tinham no CN ("rodar" o caxangá) e que era proibido (dava papeleta). Talvez por isso a garotada gostava tanto.
   Que saudade daquele tempo!...

 

Voltar ao Incício A NOSSA TURMA DEDO Próximo Texto


    Março de 1954: vindos de todos os Estados do Brasil desembarcaram na enseada Baptista das Neves duzentos e vinte e seis jovens. Olhares buliçosos, movediços e perspicazes denotam invulgar curiosidade.
    Mais do que tudo, o impulso aventureiro, a tendência ingênita e ainda dissimulada de liberdade e independência pessoal os uniu naquele lugar, naquele momento. Evidentemente, não se dão conta disso. Em todos resplandece entusiasmo contagiante pela MARINHA, da qual sequer possuem a mínima noção, o que, todavia, não os impede de já a amarem.
    Estava constituído o núcleo da Turma DEDO.
    Durante os seguintes cinco anos o destino encarregou-se de fazer com que, pelos mais variados motivos e casualidades, outros rapazes se juntassem à Turma. Assim, também, transferiram-se de turma e de Escolas Militares outros companheiros. Um único, nessa época, se foi e deixou as primeiras doloridas saudades.
    A saída da Escola Naval marca, nitidamente, o início de um período de atividades isoladas e individuais, em que a vida comunitária da Turma mantém-se no espontâneo estágio de inibição. Os jovens de 1954/58 buscam afirmar-se. Ainda inexperientes, sentem os primeiros impactos da vida e da competição profissional. Assustam-se. Aprendem. Alcançam sucessos, sofrem reveses. Apreciam a correção, curtem injustiças.
    À medida que o tempo corre... e como corre o tempo... começam a surgir, amiúde, as lembranças de um passado não muito remoto, de uma época em que se viveu intensamente e com autenticidade, quando se forjaram profundas amizades. Saudades...
    Lembranças... lembranças do inigualável cenário, da natureza que nos acolheu, das montanhas, da vegetação, do mar, do céu, do ar, do sol, da lua, das chuvas, dos ventos, das ilhas, das praias.
    Lembranças dos colegas, lembranças dos AMIGOS.
    Lembranças do alojamento, das formaturas, do rancho, das salas de aula, dos mestres, do bailéu, dos oficiais, do caxangá rodando no dedão, do grêmio, do cinema, da enfermaria, da lavanderia, do campo de futebol, da 'volta para a recreação', das descidas saltitantes das escadas e da correria para o esporte, das 'canadenses', dos 'guanabaras'.
    Lembranças dos colegas, lembranças dos AMIGOS.
    Lembranças da inspeção de licenciados, da condução para Angra, da estrada da terra, do mercado, da Prefeitura, do Teófilo, do Araribóia, da rua do Comércio, da sinuca do Áureo, dos alto-falantes (fulano oferece à...), do Colonial e do Palace, dos bailes, das 'batidas' (... que 'batidas'), das filas para as Sônias, Teresas e Doquinhas da vida, da praia do Anil e da ponte da Santa Casa, da caminhada e do acelerado de volta, das tábuas para registrar o regresso, do 'silêncio' (... às vezes), da visita médica, das gozações, das injeções, do 'Paulo Boa-Morte', dos 'golpes', do 'caminho aéreo'.
    Lembranças dos colegas, lembranças dos AMIGOS.
    Lembranças dos licenciamentos para o Rio, do jaquetão, da capa, do boné, do colarinho duro, do nó na gravata, das traineiras de pesca, do Aviso, de Mangaratiba, do trem, dos semblantes tristes na Central, do regresso, das chamadas para entrega das cartas, das provas, das provas finais, das 'viradas', do nascer-do-sol nos bancos sob as frondosas mangueiras e o intenso chilreio dos pássaros, das comemorações, dos 'banhos', do Rio das Contas, do adeus, do Colégio diminuindo e desaparecendo de nossas vistas, da Escola Naval despontando na imaginação de cada um.
    Lembranças dos colegas, lembranças dos AMIGOS.
    Lembranças do período de adaptação na EN, do novo grupo de companheiros, dos camarotes, do espadim, do jornal luminoso da Urca, dos aviões partindo e aterrizando, do barraco e da querrinha com os veteranos, das viagens, da briga na Bahia, da prova de eletrônica, do 'enterro do bode', da rádio clandestina Villegaignon, do busto pintado na manhã da solenidade, do almoço de cem dias, da entrega das espadas, do baile, da viagem de Guardas-Marinha.
    Lembranças, recordações, lembranças que conduzem à meditação, à reflexão.
    Um colega se vai, mais outro...
     A idade e os estímulos provenientes das vibrações das lembranças de cada um fazem aparecer as pulsações de renascimento de um ideal, palpitações que aumentam de intensidade à medida que se aproxima a data de comemoração da formação do núcleo da turma.
    Todos esses impulsos levam aos contactos, às reuniões, aos encontros que corroboram um anseio de todos: a importância e a necessidade de fazer reviver, adaptado à realidade atual, o espírito de união e fraternidade que marca, indelevelmente, a Turma.
    As lembranças dos colegas, dos AMIGOS, de um passado honrado; as reflexões; os companheiros que se foram; a vivência de cada um; a batalha insana do dia a dia; a incerteza pelo futuro; a oportunidade de se comemorar os anos de conhecimento e amizade fazem...


MANTER VIVA A TURMA DEDO.

Comte José Maria T da Cunha Sobrinho

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Voltar ao Incício QUADRAGÉSIMO QUINTO ANO    Próximo Texto

Destino, divindade da mitologia grega, filho de Caos,
a desordem primordial que antecedeu a Criação,
e de Nix, a Noite.

O DESTINO determinava, inexoravelmente,
o curso existencial das pessoas.
Quem acredita no destino?

    Cais da Bandeira.
    Março de 1954
.

    Quantas e quantas vezes, depois do 157º dia daquele mês, embarcaríamos em lanchas, rebocadores, avisos, naquele cais!
    Jovens guerreiros iniciavam a sua singradura profissional, na Marinha de Guerra, como designada então.
    Entrávamos na Marinha - nosso sonho - pelo mar. Navegando da baia de Guanabara à enseada Batista das Neves, a bordo do contratorpedeiro-de-escolta "Bertioga".
    Travessia inicial. Início de longa travessia existencial.
    Travessia primeira. Pena que fosse breve.
    Então aconteceu o imprevisto!
    Avaria nos motores do contratorpedeiro-de-escolta "Beberibe", que transportava a turma do 2º Ano. Velocidade máxima do grupo-tarefa: 3 nós. A travessia estendeu-se por mais algumas horas...
    Em vez de chegarmos à luz do dia, desembarcávamos à noite. Nix?
    Iniciavam-se dois anos inesquecíveis.
    Pelo novo. Pelo corte dos laços de dependência familiar. Pelo ingresso na disciplina militar: a alvorada, a matutina, a parada escolar, os ranchos com aproximação em formatura, as aulas, a educação física e o esporte, o estudo obrigatório, o silêncio; a recreação, em contraponto e relativamente pequena. Os oficiais, os professores, os instrutores. Os veteranos e, depois, os calouros. A responsabilidade dos serviços diurnos e noturnos. A maratona. A natação em mar aberto. Os exercícios de remo e de vela, nos escaleres. Os filmes e a missa, no ginásio de esporte. O gingilim. A revista A fragata. O grêmio literário. A lavanderia. O pier. A taperinha. A rubéola, a basite, a hepatite. Os licenciamentos, nos fins de semana, para o Centro de Angra dos Reis. A pé. As vindas ao Rio, no primeiro ano a cada quarenta e cinco dias, de barca ou traineira, até Mangaratiba, e depois de trem até a estação da Central; no segundo a cada vinte e um dias, substituídos os meios marítimos anteriores pelo aviso. Antecedidos os embarques pela revista de uniformes, que poderia frustrar a expectativa da alegria de rever os parentes, os amigos, a namorada... - tempos românticos dos filmes hollywoodianos! - e a própria Cidade Maravilhosa, com suas praias, festinhas em casa de moças conhecida, bailes de formatura, matinês dançantes em clubes, cinemas, jogos no Maracanã...
    A viagem no navio-escola "Guanabara". Parecia que navegávamos no século XIX. Retornávamos ao passado, sem entramos na máquina do tempo, ou no túnel do tempo (recursos de ficção da época, para regressões nostálgicas e retornos a vidas passadas. Terapia? ).
    O sucesso nos estudos e as aprovações, mais cedo ou mais tarde.
    A fachada do antigo prédio diminuindo de tamanho, à medida que o aviso se afastava pela última vez...
    Tempos felizes!
    Certamente o regime de internato, numa cidade pequena - cinco mil habitantes, diziam -, favorecia a coesão da turma; máxime porque longe da família (naquela época; hoje as "distâncias" são muito menores). Também permitia que nos concentrássemos nas tarefas, com dedicação integral à missão que abraçáramos.
    Nestes pouco mas importantes aspectos - e apenas nestes - experiência não muito diferente da vida de seminaristas.

    Escola Naval.
    Fevereiro de 1956
.

    De veteranos a calouros. Boa prática. Li, certa vez, que em algumas ordens religiosas os superiores periodicamente passavam a funções de serviços subalternos, temporariamente; para que não perdessem a noção de humildade. Naquele momento, vivíamos experiência semelhante. Iríamos revivê-la, como rotina, ao longo da carreira como oficiais subalternos, intermediários e superiores, cada vez que deixássemos a função de encarregado ou chefe, para assumirmos a de ajudante, subchefe, em outra OM; ou passássemos o cargo de comandante ou diretor, imediato ou vice-diretor, diluindo-os na oficialidade, em comissão seguinte. Sem a simplicidade na alma, como adaptarmo-nos?
    Chegavam os colegas que ingressavam diretamente na Escola Naval. A turma acima cedera-nos - e cederia ainda - componentes seus.
    Bem-vindos.
    Novos amigos. Novos dedônicos. A absorção de saudáveis células novas é sempre estimulante e rejuvenescedora.
    "A Escola Naval brasileira prepara a mocidade para a luta no mar..."
    Hino que começamos a cantar nos primeiros dias e continuamos a fazê-lo, ao longo de quarenta e três anos, muitas vezes em casa, em voz baixa, ou nas cerimônias da saudosa e querida Escola, em voz alta, com toda a potência dos pulmões.
    "Incorporando-me à Marinha brasileira, prometo cumprir rigorosamente..."
    Juramento ritual. Rio de passagem. Jamais o esqueceríamos. Jamais deixaríamos de respeitá-lo e cumpri-lo. Símbolo exterior da transformação interior: o espadim.
    Profissionalmente, a trilha única separava-se em três vias: Intendentes, Fuzileiros Navais e Corpo da Armada. Espiritual e sentimentalmente continuávamos avançando pela trilha única: a TURMA DEDO.
    As viagens em janeiro! Cruzadores-ligeiros Barroso e Tamandaré. Os portos! Salvador, Recife, Santos...
Ilha de Villegagnon. Nela os portugueses ergueram a sua fortaleza, no século XVIII. De lá haviam expulso os franceses, na segunda metade do século XVI. Deste evento histórico, duas lições permaneceram presentes no local: a primeira, nunca aceitar invasão - territorial, patrimonial e psicológica - da Pátria; a segunda, a ausência do poder militar é um convite às manifestações dos interesses, ambições e impulsos de domínio de nações que se aproveitam da debilidade dos incautos.
    Admirávamos aquelas muralhas com reverência. Dentro delas, sentíamo-nos ao abrigo das intempéries e borrasca do fim da juventude e preparávamo-nos para o ingresso inevitável no mundo da Guerra Fria. O gigante patriótico crescia dentro de nós.
    Quando descemos a rampa do túnel a atravessamos o portão da fortaleza, para trocarmos o espadim pela espada, estávamos maduros de corpo e alma. Prontos para as responsabilidades que a Pátria nos atribuísse.
    Éramos fortalezas que saíam da fortaleza.
    "Adeus minha escola querida.
    Adeus, vou à pátria servir..."
    Aguardavam-nos os oceanos do mundo. Diante de nós, a escada de portaló do navio-escola "Custódio de Mello", pronto para suspender.
    Subimos. Também profissionalmente. O uniforme o expressava: trocarmos o mescla pelo cinza, o caxangá pelo bibico, havia pouco. Como continuaríamos a subir em responsabilidade perante a Nação, ao longo da vida profissional. Às vezes através de pranchas suaves, em outras íngremes escadas de portaló, e algumas vezes árduas escadas de quebra-peito. Sempre com a mesma energia e destemor.
    Viagem de instrução.
    Quantos dias e noites no mar! Quanto aprendizado1 Quantos portos e cidades estrangeiras visitamos! Quantas culturas diferentes conhecemos!
    Numa época em que apenas pequeno segmento da nossa sociedade tinha oportunidade de périplos no exterior.
    Voltávamos.
    Os navios, as unidades de fuzileiros navais, e demais OM de terra, aguardavam-nos.
    Do cais, o olhar triste de quem desembarca. O sentimento de gratidão ao bravo navio-escola, onde vivêramos momentos tão ricos de conhecimentos navais e de relacionamento com outros povos.
    Separávamo-nos. Apenas e espacialmente.
    Em espírito, nenhuma separação . O tecido espiritual dedônico jamais se romperia.
    O tempo passando.
    Das três Moiras, irmãs que executam as determinações do destino, a primeira tece o fio da vida de todo mortal e a Segunda o enrola.
    Cada um seguia a sua linha própria. De um universo rico de possibilidades, as Moiras compunham os mosaicos individuais, escolhendo entre opções diversas: as comissões, cursos, foras-de-sede; casamento, vida de solteiro, filhos, filhas; cursos extra-Marinha, faculdades à noite; imediatice, comando, comissões no exterior; casamentos de filhas e filhos, nascimento de netos e netas... Cada um segundo o seu enredo.
    Os fios, contudo, corriam próximos, sempre encontrando-se. Os momentos difíceis: as prontidões, a entropia política, a revolta de inspiração marxista em Brasília, o estresse da morte esperada a bordo, nas OM, a revolução de 1964. Os momentos bons: o jantar dos 20 anos, no segundo andar de uma churrascaria na Tijuca, com o gran finale da "guerra de pão" (retorno à juventude!), os jantares anuais, as peladas - chope e, mais recentemente, os churrascos, em dezembro, os almoços mensais, os fins de semana serranos. A Associação da TURMA DEDO entrelaçando os fios ... Moira entrelaçadora que a mitologia grega não percebera.
    Quantos anos, desde 1954 e 1956!
    Em cada ano, a contraposição de momentos bons e difíceis. De todos os anos, porém, saudades. Na verdade não sentimos saudades do tempo, mas de nós mesmos no tempo. Uma "concentração-em-si-mesmo" que se espraia para a esposa, os filhos , os pais, os irmãos, os amigos, a turma, um tecido de energia afetiva tão forte e inesgotável que às vezes nos faz questionar: existe o indivíduo?! Embora não tenhamos disto consciência, quanto fitamos a face de cada um - ou nos lembramos de suas faces - vemos um pouco de nós, os momentos e experiências comuns. Um entrelaçamento espiritual imorredouro. O espírito de família, o espírito de grupo, o espírito de turma...
    Alguns baixaram à terra em qualquer ponto da singradura, no Colégio Naval, na Escola Naval, ou já como oficiais.
    Continuam conosco. Alguns baixaram ao seio da terra, prematuramente. A terceira Moira, a que corta o fio da existência, ignorou nossas preces e súplicas. Eles vivem em nossas mentes e corações.
    Antes de encerramos este texto simples encaminhamos a Zeus uma solicitação justa. Ele a despachou para Posêidon, afirmando que em pleitos de marinheiros cabe a decisão ao deus do mar. Posêidon deferiu, com o seguinte despacho:
    "Considerando a fraternidade inusitada que une os mortais desta TURMA DEDO - que já vejo um pouco como um mito que nasceu e influenciou o seu tempo - e pelo elevado mérito humano de cada um, determino que se ajuste a "roda do tempo", de modo que mantenham na alma, eternamente, a juventude com que ingressaram em sua Marinha, para que não esmoreçam na incansável tarefa de serem felizes e de preservarem e transmitirem ao futuro os valores maiores de sua terra. O tempo é uma criação dos homens e, assim, não pode colocar-se acima dos sentimento de felicidade e de finalidade e missão doados aos homens pelos deuses".
    Quarenta e cinco anos!
    Aguardam-nos mais quarenta e cinco, e mais quarenta e cinco, e mais... e assim sucessivamente, pois à medida que saiamos de cena, irá entrando o depoimento , a narrativa, das gerações mais novas, que nos viram , que nos acompanharam a saga da TURMA DEDO, que apreciaram os nossos sonhos e anseios de um mundo melhor. É dessa forma que o mito se engrandece e perpetua. Sob os mitos, os arquétipos ...
    A TURMA DEDO deixou a sua impressão digital, como partícipe da identidade da Marinha da nossa época.
    Cronologicamentre agradecemos: a nossos pais que nos geraram biológica (sem eles não existiríamos) e socialmente; a nossas queridas esposas, personificação da Moira que passou a tecer o nosso fio, desde que a ela nos unimos: a nossas filhas e filhos; aos nossos netos.
    Fora da cronologia, aos irmãos, amas, professoras e professores, que colaboraram na nossa formação; aos superiores que nos orientaram; e aos subordinados - oficiais, praças, funcionários civis - que sob nossas ordens cumpriram seu dever, disciplinada e lealmente.
    Somos gratos, particularmente, à Pátria, que depositou em nós total confiança, como membros da sua tradicional, honrada, histórica e incomparável Marinha.
    Quadragésimo quinto ano!
    Louvemos a Deus, que nos doou um destino comum, como TURMA DEDO.
    Acima das lendas e dos mitos está a Sua vontade.
    Aleluia!

V Alte Luiz Sanctos Döring

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Rio de Janeiro, 05 de maio de 2001

Aos amigos da Turma Dedo:

   Há dois anos atrás, tive a inspiração necessária para traduzir meus sentimentos em relação aos 45 anos da chegada de nossa Turma Dedo ao Colégio Naval.
   Agora, quero me referir ao que se passou em 1956, quando chegamos à Escola Naval, após dois árduos e profícuos anos no saudoso Colégio Naval.
   Todos nós, já de certa forma familiarizados com a Marinha, chegávamos em março à histórica Ilha de Villegaignon, onde prosseguiríamos na maravilhosa aventura que marcou nossas vidas desde 1954. Lá nos esperavam novas emoções: o encontro com os novos componentes da Turma Dedo, egressos da vida civil ou do Colégio Militar, para se fundirem à melhor turma que já passou pela MB, novas amizades imorredouras; o receio de novo período de trote (infundado em relação à Turma de 1952, porém, infeliz e injustificadamente, real com a Turma de 1953); a satisfação de conviver mais assiduamente com os familiares e as namoradas, graças aos licenciamentos semanais aos sábados; o aumento do grau de dificuldade nos estudos, mais complexidade nas novas matérias no nível Superior; o início das visitas e exercícios nos navios da Esquadra, nossa futura e esperada atividade; o orgulho pessoal de passarmos a ser tratados por "Aspirante"; o anseio, plenamente justificado, de envergar no uniforme o glorioso espadim. Tudo isso nos aguardava; tudo isso, fatalmente teríamos de viver para que conquistássemos o primeiro galão de Oficial de Marinha.
   Todas essas emoções foram vividas, todas elas ultrapassadas. Aqui estamos, 45 anos depois de nosso ingresso na Escola Naval, recordando-as com admiração, orgulho, vibração até hoje, reconhecimento e agradecimento profundo por todos aqueles que, direta ou indiretamente, nos ajudaram a vencer e, mais do que tudo, saudades profundas daqueles momentos, em sua maioria felizes, e daqueles seres amados que conosco conviveram e não mais estão entre nós: nossos pais, nossos mestres e alguns companheiros de jornada. Que Deus os ilumine, preparando-os para a próxima missão!
   Principalmente, foi consolidado, nessa época, de forma definitiva, e com a inclusão dos novos companheiros, o Espírito de Turma que, até hoje, nos amalgama e nos torna orgulhosos de pertencer a esta Turma Dedo, que tanto se destacou na MB, acima de qualquer outra com que convivemos, e que nos faz lembrar com saudade de nossos agora 47 anos de trajetória.
   Que continuemos unidos por todo o restante de nossas existências, cultuando com carinho esta amizade eterna.
   Somente um termo pode definir a Turma Dedo: AMIZADE ETERNA!

EGBERTO B. SPERLING

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